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Archive for the ‘Jornalismo’ Category

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A partir de 2011, este blog não terá mais atualizações. Seus objetivos já foram todos alcançados: criar mais um canal de comunicação com leitores e fontes do Quatro; ampliar a experiência da leitura do jornal; e documentar as experiências dos alunos e os bastidores de produção das edições.

Embora não tenhamos mais novos conteúdos por aqui, manteremos o blog como um registro de nossos trabalhos e ações. Por isso, reforçamos o convite de navegar nos materiais postados, caso não os conheça ou queira revê-los. Sua passagem por este espaço é sempre bem-vinda. Volte quando quiser e fique à vontade.

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Agora, é sair para distribuir…

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O Quatro ainda não veio da gráfica, mas tudo indica que já-já ele “nasce”…

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O jornal ainda não chegou da gráfica, mas você já pode conferir como ficou este número!

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Guilherme Teixeira

Como fazer para entrar numa sexshop? Para um homem, chegar num lugar recheado de pintos e fotos pornográficas pode ser constrangedor. Entrevistar um atendente que falará o funcionamento dos artefatos também não é uma situação agradável. Então, o que fazer? Simples. Vá acompanhado! E de preferência de mulheres. A presença feminina diminui um pouco o receio e faz com que a vergonha suma gradativamente, mas de forma lenta, bem lenta.

Mas não se engane! Mesmo com a companhia da fotógrafa Marina Lisboa e da repórter Juliana Ferreira, a situação não é tão confortável assim. Ao entrar no ambiente, o excesso de objetos fálicos e de fotos de pessoas nuas impede qualquer chance de naturalidade. Fazer uma entrevista normal é mais difícil, tanto que elas tiveram que engatar as primeiras perguntas para que a explicação começasse.

E não pense que o olhar é o único sentido afetado lá. O odor característico da loja e a música também não colaboram. O cheiro e o som de sexo atingem os nossos sentidos fortemente, até mais que a visão. Esqueci do tato? Doce ilusão! Pelo menos dessa eu escapei. As amigas ajudaram bastante nesse caso, quando a vendedora pediu para conferir textura do vibrador da linha Cyber Skin. De acordo com elas, é igual realmente. Faltou o paladar? Sim, ele existe. Calma! Ele se resume principalmente a materiais eróticos comestíveis, como calcinhas, chocolates com formas eróticas. Apesar dessas variedades, minhas papilas gustativas não chegaram a sentir o sabor da sexshop.

O mais estranho do estabelecimento não são os artefatos eróticos, porque, com o tempo, as pessoas se acostumam com eles – isso não quer dizer que ficam à vontade. O diferente mesmo são as histórias. Segundo a gerente, várias pessoas vêm pedir dicas sexuais ali na loja. Até aí tudo certo. Mas a exposição de vídeos de zoofilia na “locadora” do estabelecimento não é nada agradável. Para piorar, os principais consumidores desses tipos de filmes são velhinhos. Sem preconceitos.

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Thiago Moreno

O desafio era produzir uma reportagem sobre comportamentos sexuais diferentes. Legal! Boa pauta, muito boa mesmo. Não tinha como não se divertir tentando entrevistar sadomasoquistas, zoofilistas e voyeuristas (só para citar os mais leves que pensei). E eu estava certo, foi uma das melhores matérias para apurar até essa metade da graduação. O envolvimento com os personagens aconteceu muito de repente e foi muito forte. Quando percebi, já tinha liberdade o suficiente para perguntar a um assexual se ele queria ter filhos ou se era virgem.

Essa fonte, aliás, me causou problemas logo na partida. Eu o contatei através de uma comunidade, dessas de redes sociais, na maior cara de pau: “Será que alguém aí se interessa em dar uma entrevista?”. Ele foi o único a responder. O problema é que queria ver a matéria antes de publicada, um dos maiores clichês éticos e, ao mesmo tempo, uma bela cilada para um jornalista. Eu, de minha parte, não queria perdê-lo, mas ainda assim não ia quebrar as regras básicas da minha futura profissão. Não se enviam textos para ninguém se o jornal ainda não saiu. A melhor solução era explicar e esperar sua resposta. Que fosse positiva, por favor. Ele aceitou.

Me tratou bem, respeitosa e amigavelmente e eu tentei corresponder ao máximo, assim como fiz com o praticante de D/S. E eles me fizeram pensar e repensar vários conceitos meus. Minha ideia de liberdade foi o principal. Conversar com a antropóloga que corroborou com as ideias só mexeu ainda mais comigo.

Quando finalmente consegui uma psicóloga que me falasse sobre o assunto, o sonho começou a desmoronar. Ela foi contra tudo que tinham me dito até ali e, principalmente, contra o que eu acreditava. E a cada comportamento novo que classificava como desvio eu ia me arrependendo um pouco mais de entrevistá-la, porque eu sabia que aquilo tudo teria que entrar na matéria. Eu tentei insistir, deixar claro meu contraponto, mas a mulher era inflexível. Sua ideologia era muito forte. No fim, acabei dando mais espaço para ela dentro do meu texto do que para as fontes com as quais eu concordava. O jornalismo tem desses paradoxos.

Agora, com o trabalho terminado, fico pensando no quanto eu me diverti com as experiências estranhas que vivi nessas semanas. É, acho que tem coisas que só sendo repórter para entender.

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